O Chevrolet Equinox é um dos SUVs médios mais ambiciosos do mercado brasileiro. Com tração integral de série, 177 cv, tela de 11,3 polegadas e tecnologia que rivaliza com carros de categorias mais caras, ele chega ao 2026 custando R$ 291.190 — o mesmo preço nas versões Activ e RS. Para quem vem do Compass, do Kicks ou do Tracker, o Equinox parece a resposta óbvia para quem quer dar um passo acima.
O problema é que "dar um passo acima" em preço não sempre significa dar um passo acima em tranquilidade. O Equinox tem um histórico documentado de falhas estruturais — suspensão barulhenta com menos de mil km rodados, caixa de câmbio que vaza e até falhas no sistema de estabilidade em plena rodovia — que não aparecem no test drive e raramente são mencionados em reviews de lançamento.
A pergunta que importa não é "o Equinox é bonito e tecnológico?". A resposta para isso é sim, claramente. A pergunta é: para o seu perfil, ele vale R$ 291 mil — e os riscos que vêm junto?
O Equinox 2026 é a quarta geração do modelo no Brasil, lançada em dezembro de 2024. Ele cresceu em relação ao antecessor: mede 4,67 m de comprimento, 1,90 m de largura e traz um entre-eixos de 2,73 m, o que resulta em espaço interno generoso para a categoria.
O motor é um 1.5 turbo a gasolina com 177 cv e 28 kgfm de torque, acoplado a um câmbio automático de 8 marchas e tração integral sob demanda (AWD). Não há versão de entrada com tração dianteira — as duas versões disponíveis incluem AWD de série.
| Versão | Motor | Preço (tabela) |
|---|---|---|
| Equinox Activ | 1.5 Turbo 177 cv AWD | R$ 291.190 |
| Equinox RS | 1.5 Turbo 177 cv AWD | R$ 291.190 |
A diferença entre as versões é estética e de equipamentos, não mecânica. A Activ tem acabamento aventureiro com detalhes caramelo no interior, rodas de 19 polegadas, câmera 360° HD e Hill Descent Control. A RS aposta no visual esportivo com rodas de 20 polegadas em "High Gloss", interior todo em preto com costuras vermelhas e azuis, e teto solar panorâmico.
Ambas trazem de série: painel digital de 11 polegadas, multimídia MyLink de 11,3 polegadas com Google Built-in, bancos elétricos com ventilação e aquecimento, ACC Stop-and-Go, alerta de ponto cego, câmera de ré, frenagem autônoma de emergência e OnStar com Wi-Fi 5G nativo.
Descontos disponíveis: a Chevrolet vem praticando descontos de até R$ 22 mil para clientes que dão um SUV 2023 ou mais novo como parte do pagamento — o que pode baixar o Activ para perto de R$ 269 mil. Vale negociar antes de fechar.
Tabela FIPE (maio/2026): R$ 258 mil a R$ 265 mil para os modelos 2026, indicando depreciação relevante já no primeiro ano — ponto de atenção para quem pensa em revender.
As duas versões têm o mesmo motor, a mesma tração e os mesmos pacotes de segurança. A escolha é de estilo e uso.
A Activ faz mais sentido se você usa o carro tanto na cidade quanto em viagens com trechos off-road leve — estradas de terra, sítio, serra. O pneu de perfil mais alto absorve melhor irregularidades e o acabamento caramelo envelhecerá melhor com o uso intenso.
A RS é para quem fica predominantemente no asfalto e quer o visual mais marcante. O aro 20 com pneu baixo entrega melhor aderência em curvas, mas cobra na qualidade de rodagem em ruas com buracos — e no custo dos pneus na hora da troca.
Quem tem um Tracker 2022 ou 2023 e está pensando em subir para o Equinox está comparando carros de categorias diferentes — e o salto de preço reflete isso. O Equinox oferece mais espaço interno, tração integral real e tecnologia superior. Para uma família com dois adultos e uma ou duas crianças que faz viagens longas com frequência, a proposta faz sentido.
O que funciona bem para esse perfil: o porta-malas de 469 litros é generoso para bagagens de viagem; a tração AWD dá segurança extra em estradas molhadas e trechos escorregadios; o ACC Stop-and-Go reduz cansaço em estrada; o espaço traseiro é mais folgado do que o Compass ou o Tracker.
O que pode frustrar: o consumo de 7,8 km/l na cidade (medido pela CNN Brasil em testes reais) transforma uma rotina urbana intensa em um custo mensal salgado. Uma família que roda 1.500 km por mês gasta em torno de R$ 900–1.000 só de combustível no regime urbano. Além disso, o histórico de suspensão barulhenta desde cedo levanta a questão: vale a ansiedade de ficar monitorando um carro que custou quase R$ 300 mil?
Veredito para esse perfil: vale a pena se a maior parte do uso for em estrada e se o orçamento de manutenção for compatível com um SUV premium. Não vale se o uso é majoritariamente urbano e a principal motivação for espaço — o Jeep Commander faz esse trabalho com mais conforto de manutenção.
Para quem substitui um sedã executivo por um SUV médio ou quer um carro que impressione tanto na garagem da empresa quanto na reunião de cliente, o Equinox RS tem apelo real. O interior é bem resolvido, a tela de 11,3 polegadas com Google integrado funciona sem precisar conectar celular, e a lista de equipamentos é impressionante para a faixa de preço.
O que funciona bem: acabamento visual interno de alto nível; sistema de som com cancelamento eletrônico de ruído; bancos com aquecimento e ventilação elétricos — conforto para dias longos ao volante; piloto automático adaptativo que funciona bem em rodovias.
O que pode frustrar: o Equinox ainda carrega o estigma de ter problemas eletrônicos recorrentes — multimídia que trava, luz do OnStar que pisca sem parar, falhas no Stabilitrak. Para alguém que usa o carro como cartão de visita, uma visita à concessionária com carro na garantia e carro substituto básico é a última coisa que se quer. A desvalorização rápida (FIPE 2026 já abaixo do preço de tabela) também diminui o argumento de patrimônio.
Veredito para esse perfil: se tecnologia e conforto são prioridade e você é tolerante a visitas à concessionária durante os primeiros anos de garantia, o RS entrega. Se você quer um SUV premium sem essa ansiedade, vale olhar para o Volvo XC40 ou o BMW X1 — a diferença de preço não é tão grande quanto parece e a confiabilidade histórica é outra.
Muita gente chega ao Equinox vindo de hatchbacks ou SUVs compactos e se encanta com a lista de equipamentos. O salto de experiência é real — mas o salto de custo operacional também.
O que funciona bem para esse perfil: o pacote de assistência à condução reduz a curva de aprendizado em estrada; a câmera 360° facilita manobras para quem não está acostumado com um carro maior; o OnStar com rastreamento e assistência 24h dá uma rede de segurança.
O que pode frustrar: revisões em concessionária Chevrolet custam mais do que o comprador de Onix ou HB20 está acostumado. Os primeiros anos tendem a ter visitas à concessionária por ajustes de suspensão e elétrica. E a depreciação inicial é significativa — quem compra a R$ 291 mil pode encontrar o mesmo carro valendo R$ 250 mil em dois anos.
Veredito para esse perfil: se é a primeira compra premium, considere seriamente o Equinox 2025 com desconto ou o Tracker topo de linha — e preserva a diferença para os custos operacionais que vêm junto.
O INMETRO certifica 9 km/l na cidade e 10,7 km/l na estrada com gasolina. Na prática, os testes independentes e os relatos de donos mostram números diferentes.
| Versão/Condição | Gasolina cidade | Gasolina estrada |
|---|---|---|
| Activ AWD (uso misto urbano) | 8–9 km/l | 10–11 km/l |
| RS AWD (test drive CNN Brasil, 206 km urbano) | 7,8 km/l | — |
| RS AWD (relatos donos Webmotors) | 8 km/l | 12 km/l |
O Equinox é um carro a gasolina pura — não aceita etanol no Brasil. O tanque de combustível tem 55 litros, o que dá autonomia de 430–500 km em condições mistas. Para quem roda muito em cidade congestionada, a realidade dos 7,8 km/l transforma o Equinox num carro caro de abastecer.
A boa notícia: em viagem, com velocidade constante entre 100–110 km/h, os 12 km/l se aproximam do INMETRO — e é aqui que o carro mostra sua melhor face.
Esse é o problema mais documentado da história do Equinox no Brasil e se repete nas gerações. Donos relatam barulho insuportável na suspensão dianteira com menos de 1.000 km rodados — não estamos falando de desgaste, mas de defeito de fábrica nas buchas.
Na prática: ao passar por lombadas, paralelepípedos ou qualquer irregularidade, o carro emite um barulho de "bate ferro com ferro" que piora com o tempo. A concessionária substitui as buchas na garantia, mas em vários relatos o problema volta ou melhora pouco. Um dono registrou no Reclame Aqui que a concessionária testou outro Equinox zero-quilômetro na vitrine e ele apresentava o mesmo problema — confirmando que é uma questão de projeto, não de unidade isolada.
Paralelamente a isso, há relatos de falha na caixa de câmbio em carros 2025 com menos de 5.000 km — incluindo vazamento de óleo identificado na concessionária, com o câmbio precisando ser substituído. Um comprador em Brasília ficou sem o carro por semanas aguardando resposta do suporte técnico da GM.
O que fazer: ao pegar o carro zero, antes de sair da concessionária, dirija em uma rua com irregularidades e ouça a suspensão. Se houver qualquer barulho metálico, documente na ordem de serviço no ato da entrega. Exija que o problema seja registrado formalmente — isso protege seus direitos dentro do prazo de garantia.
Há relatos documentados de falha no sistema de controle de estabilidade (Stabilitrak) enquanto o carro está em movimento em rodovia. O comportamento descrito por donos é grave: o sistema travou, o volante puxou para o lado e o carro quase rodou na pista — com passageiros a bordo.
Um dono identificou mais de cinco reclamações com o mesmo padrão no Reclame Aqui e entrou com solicitação baseada no Código de Defesa do Consumidor por vício redibitório. A Chevrolet, nesses casos, alegou que a garantia havia vencido.
O que fazer: se o carro ainda está na garantia e acender qualquer luz relacionada ao Stabilitrak ou ao controle de tração, não ignore. Leve imediatamente à concessionária e exija que o diagnóstico seja feito e documentado. Se o problema ocorrer em movimento, encoste com segurança e acione o Road Service da Chevrolet.
A central multimídia é um dos pontos altos do Equinox no papel — tela grande, Google integrado, resposta rápida. Na prática, parte dos donos relata travamentos, reinicializações espontâneas e uma luz verde do OnStar que fica piscando permanentemente sem que a concessionária consiga resolver.
Esse problema não paralisa o carro, mas é particularmente irritante num veículo que justifica uma parte relevante do seu preço justamente na tecnologia de bordo. Em alguns casos, o sistema precisou ser atualizado ou substituído dentro da garantia — e o processo envolveu múltiplas visitas à concessionária sem solução definitiva.
O que fazer: se o carro for comprado novo, qualquer falha eletrônica deve ser registrada por escrito na primeira visita. Não aceite "não foi encontrada falha" se o problema for recorrente — exija que o diagnóstico seja repetido em condições diferentes.
Donos relatam barulhos nos plásticos do painel ao ouvir o som do carro em volume médio, além de arranhados nas soleiras e acabamentos internos já na entrega — carro novo, zero km, com marcas de transporte ou descuido na preparação. A soleira do lado do carona é o ponto mais citado.
Esse tipo de problema é mais irritante do que sério, mas num carro de quase R$ 300 mil, a expectativa de qualidade é outra. A Chevrolet resolve em garantia, mas o processo envolve tempo e visitas.
O que fazer: na hora da entrega, faça uma vistoria detalhada com luz adequada. Fotografe qualquer risco, marca ou imperfeição antes de assinar o recibo de entrega. Se houver qualquer dano, registre na nota antes de sair da concessionária.
Donos de gerações anteriores relatam um problema específico: o Equinox que fica parado por 4 a 5 dias sem ser ligado apresenta bateria descarregada ao retorno — mesmo após troca da bateria original. O problema parece ter origem em algum consumo parasita do sistema elétrico que ainda não foi oficialmente endereçado pela Chevrolet.
Isso é especialmente relevante para quem tem o Equinox como segundo carro ou para quem viaja com frequência deixando o veículo parado.
O que fazer: se o carro ficará parado por mais de uma semana, desconecte a bateria auxiliar ou use um mantenedor de carga. Para carros na garantia com esse problema recorrente, a Chevrolet deve diagnosticar o consumo parasita — exija isso formalmente.
O Equinox tem um padrão claro: problemas estruturais que aparecem cedo (suspensão e câmbio com menos de 5.000 km) e problemas eletrônicos que se arrastam sem solução definitiva. A boa notícia é que a garantia de 3 anos cobre a maioria desses problemas — mas a experiência de comprar um carro de R$ 300 mil e ter que ir à concessionária por falhas de suspensão com menos de 1.000 km rodados é incompatível com o que o preço promete.
| Faixa de ano | Geração | O que esperar |
|---|---|---|
| 2025–2026 | 4ª geração (nova plataforma) | Design atual, tecnologia completa, mas histórico de problemas ainda sendo formado |
| 2022–2024 | 3ª geração | Plataforma consolidada, problemas conhecidos e com solução documentada, preços mais acessíveis |
| 2018–2021 | 2ª geração | Motor 1.5 Turbo anterior, problemas crônicos de suspensão e câmbio mais frequentes, peças com disponibilidade variável |
Melhor custo-benefício no mercado de usados: Equinox 2022 ou 2023, que já passou pelos ajustes de garantia dos primeiros anos e ainda tem design razoavelmente atual. Evite modelos 2018 com mais de 100.000 km — o câmbio nessa faixa pode apresentar problemas de R$ 15 mil para corrigir, fora da garantia.
| Perfil | Versão recomendada | Por quê |
|---|---|---|
| Viagens longas e estradas variadas | Activ | Pneu mais alto, HDC e interior resistente ao uso intenso |
| Uso predominantemente urbano e visual | RS | Aro 20 e estética esportiva compensam no asfalto |
| Quem prioriza custo de reposição | Activ | Pneu aro 19 custa menos que aro 20 na troca |
| Item | Custo estimado | Observação |
|---|---|---|
| Revisão anual (10.000 km) em concessionária | R$ 800–1.500 | As duas primeiras revisões são gratuitas |
| Troca de óleo motor (0W-20 sintético) | R$ 400–600 | Intervalo de 10.000 km ou 1 ano |
| Troca de pneus aro 19 (Activ) | R$ 2.400–3.200 (4 unidades) | Pneus 235/55 R19 |
| Troca de pneus aro 20 (RS) | R$ 3.200–4.500 (4 unidades) | Pneus 245/45 R20 — custo mais alto |
| Troca de buchas da suspensão (se necessário) | R$ 800–1.500 | Problema documentado — pode ocorrer em garantia |
| Substituição de câmbio (fora da garantia) | R$ 12.000–18.000 | Custo real documentado em casos extremos |
| Freios dianteiros (disco + pastilha) | R$ 700–1.200 | Intervalo médio de 40.000 km |
A rede de concessionárias Chevrolet no Brasil é ampla — um diferencial importante em comparação com marcas como Volvo ou Jaguar. A disponibilidade de peças para o 1.5 Turbo é razoável, mas relatos de donos indicam que em regiões fora das capitais o prazo de espera por peças específicas pode se estender por semanas. O câmbio de 8 marchas em particular teve registros de demora na reposição.
A Chevrolet oferece garantia de 3 anos ou 100.000 km, o que é um ponto positivo para absorver os problemas do período inicial. Mantenha o plano de revisões em dia para preservar esse direito.
Vale a pena se:
Não vale a pena se:
O Equinox 2026 é um carro genuinamente bom em tecnologia e conforto — e genuinamente problemático nos primeiros quilômetros. A tecnologia embarcada é impressionante para o preço; os problemas estruturais que aparecem antes de 5.000 km são inadmissíveis para um carro de R$ 291 mil. Se você decidir comprá-lo, negocie o desconto máximo possível, faça a vistoria na entrega com rigor e documente qualquer barulho ou falha desde o primeiro dia. A garantia de 3 anos é sua principal proteção — use-a.